Excesso de estoques e queda nos preços deixam mercado do café ‘truncado’, aponta CCCMG

O excesso de café existente no mercado e o baixo preço pago no mercado interno e no exterior têm retraído o comportamento dos produtores, que têm negociado o produto apenas quando necessário. O café arábica, o mais consumido no mundo, alcançou o menor valor em mais de 5 anos no Brasil, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o presidente do Centro do Comércio de Café de Minas Gerais, Archimedes Coli Neto, o mercado atualmente está truncado.

“O mercado está no momento muito desencontrado, os preços que eles estão querendo pagar lá fora, no exterior, não bate com o que o produtor quer internamente. Existe ainda um estoque bastante grande com relação a essa safra, a próxima já está iniciando, já começam a aparecer alguns cafés novos da safra 2019/2020”, afirma o presidente da CCCMG.

Conforme o Cepea, entidade da Esalq/USP, o valor médio de R$ 387,09 para a saca neste mês de abril só não é menor do que fevereiro de 2014, quando a saca chegou a valer R$ 366,32.

Ainda conforme o centro de estudos, a perspectiva de ampla oferta de café na safra 2018/19 e de reservas confortáveis em 2019/20 – devido, especialmente, à safra volumosa no Brasil no próximo ciclo, que começa nos próximos meses, têm pressionado os valores externos e, consequentemente, internos do arábica e do robusta.

Atualmente, a saca tem sido comprada no exterior a US$ 99,95, o menor valor dos últimos 10 anos. No entanto, a expectativa é que a grande oferta do produto e a queda do preço no exterior possam alavancar as exportações durante o ano.

“Nós vamos bater recorde de exportações no ano safra, podemos chegar aí com 38, 39 milhões, podemos chegar até 40 milhões de sacas dependendo dos últimos meses agora, devido à quantidade enorme de café da safra”, explica Archimedes Coli Neto.

Para a safra 2019/2020, a tendência é que a safra continue boa, tanto em quantidade e qualidade, mas em menor proporção em relação à safra anterior.

“Espera-se uma safra boa, não tão grande quanto a anterior, mas uma safra boa. E o mercado, para mudar alguma coisa, só se aparecer fatos novos, porque neste momento a gente não consegue deslumbrar nada no horizonte que possa mudar muito o mercado”, afirma o presidente do CCCMG.

Fonte:G1 Sul de Minas

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